Sunday, October 28, 2012

ISSO É VIRTUAL?


TERRA DOS MENINOS PELADOS vem mostrar a importância da comunicação através do contato direto com a natureza, resgatando assim a referência da beleza do mundo real e o imaginário do contato humano entre as gerações, onde aquela, por assim dizer cansada de viver, encontra sua maneira de repassar as gerações novas, ainda inexperientes, mas cheias de vigor do valor da sabedoria de uma longa vida, que foi vivida e não apenas replicada pelo computador. O título “TERRA DOS MENINOS PELADOS” nasce dessa premissa, ou melhor, da nudez do homem sem a roupagem da sua alma singela e brejeira, e por que não dizer inocente, pura, perdida em algum momento entre o encantamento e desencantamento do mundo hoje pertencido somente às máquinas tecnológicas, estas por sua vez, frias e complexas que poucos sabem realmente seus mecanismos de funcionamento, posso ainda afirmar que não há lógica e não lógica de emoção e afeto. 
Produzir TERRA DOS MENINOS PELADOS com tema atual a partir de aspectos sociais e culturais, explorando de forma poética e exótica o comparativo da realidade urbana, interiorana, da fantasia e da preservação do homem imaterial. Este curta – metragem mostra a caracterização dos personagens, nos figurinos, na complexidade ao usarmos locações reais, no vai e vem frenético do cotidiano do dia a dia do grande centro e da vida simples das belezas naturais do interior do Amazonas que ainda é pouco explorado no cinema nacional. A estética visual do filme é carregada nas cores tendo como pano de fundo o verde da Amazônia que salta os olhos enquanto as imagens narradas são as lembranças vividas do personagem numa terra distante da sua realidade atual. A linguagem abordada é referência do homem urbano e do caboclo amazonense. O tema musical “Lamento de raça” do musico amazonense Emerson Maia é interpretada por Heloína Soares, o novo arranjo de autoria de Paulo Marinho é regida pelo Maestro Marcelo de Jesus da OCA. A partir da junção de ideias “Lamento de raça” ganhou a mistura da música clássica e moderna que pontua que somos brasileiros, independente de qual Região do país pertencemos.

JÁ NÃO SEI MAIS ONDE O MUNDO REAL COMEÇA E A FANTASIA TERMINA


Hoje, com o advento do computador e a quantidade de informações que se tem acesso através da internet, outros espaços de construção do conhecimento e das relações entre pessoas surgem e envolvem o desenvolvimento de homens e mulheres e sua relação com as novas tecnologias. Esquecendo o mundo real com sua troca de afetividade e vivendo o mundo virtual, frio, isolado e muitas vezes descolado do concreto.

O filme de curta metragem “TERRA DOS MENINOS PELADOS” foi produzido no gênero de ficção com temática para crianças e resgata o momento que está sendo modificado de forma vertiginosa no tempo presente devido às exigências da vida urbana e moderna, onde o stress, o sedentarismo, o consumo e o uso desenfreado da tecnologia das informações instantâneas da internet e das redes virtuais de relacionamentos ganham importância maior e ocupam todo o tempo, em detrimento de uma realidade vivida e cheia de experiências ricas de conteúdo e afetividade. 

Tuesday, July 24, 2012

CINEASTA DO MATO

Passei anos relutando para não criar esse personagem, mas depois de passar 10 anos entre produções e eventos na área do audiovisual, então decidi construir algo que fosse cômico, que estivesse dentro do contexto do que é filmar na Amazônia e que realmente fosse o reflexo daqueles que vão além do amor à sétima arte e fazem disso uma incansável obsessão, não só no sentido de se dar bem “isso é outra irrealidade”, mas no sentido de se atrapalhar todo. O meu maior desafio será escrever uma série de textos lineares “que não é o meu estilo” escritos sobre as aventuras de Bagê Convallis, personagem ficcional que filmou na Amazônia nos anos 90. 
Primeiramente apresento o personagem principal com uma imagem apenas ilustrativa, mas aos poucos ele será inventado e posteriormente escreverei as peripécias dele em episódio mensal que talvez tenha uns cinco post.  
Há muitas curiosidades sobre Convallis, uma delas é que ele não é louco, mas possui um problema de ordem pessoal, ele é bastante carismático, apesar de ser um exímio mentiroso e manipulador, também, enche-se de orgulho quando chama o biongo “de sua casa”, de um lado ao outro sempre está acompanhado da Dona Pretinha “filmadora analógica” e o celular Audivox que ele chama de Fuxico. Convallis não possui computador por isso escreve seus roteiros na máquina de escrever com teclado em espanhol, não posso deixar de citar que no biongo o telefone fixo é da década de 50, além de muitas das vezes está cortado por falta de pagamento ou quando a operadora está com defeito, mas que por incrível que pareça quando funciona fica melhor do que orelhão público, ele costuma dormi em uma rede atada a uma escapula na parede, pois ele diz que cama só serve para trepar, mas como não há cama em seu biongo, ele trepa mesmo no chão. Convallis tem outro hábito, o de falar sozinho, quando ele não está no set costuma dá piti, pois acha que sabe tudo “pelo menos ele acha” Convallis já chegou ao ponto de tomar a câmera do cinegrafista. Ele diz que tem 22 anos de cinema e fez 15 longas metragens, quando deseja conquistar uma mulher, e completa pedindo a ela que seja a próxima atriz do seu mais novo filme. Ele odeia as loiras e chama os gays de paca “eu nem sei qual razão desse adjetivo”, a marca registrada de Convallis está na frase: primeiro eu, segundo eu, terceiro eu, quarto quem eu quiser e quinto quem tiver coragem de vim. Para marcar o encontro com sua amiga e amante “casada” ele usa o código “Vavá tá carente”. O biongo também funciona como uma produtora fajuta, onde seu fiel assistente Tota o chama de mestre. É Tota que atende ao telefone no biongo enquanto Convallis finge conversar com produtores americanos no Fuxico e Tota diz: no momento Sr. Convallis não pode atender, pois está negociando uma produção hollywoodiana.       

Sunday, July 22, 2012

QUEM QUER SER TARANTINO?


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Quando ouço alguém chamar-me pela palavra “CINEASTA” eu paro e penso que essa pessoa está no mínimo me gozando, mas em seguida faço a pergunta que tanto me incomoda “você sabe o que é um cineasta?” e por alguns minutos a pessoa olha para sua própria testa na tentativa de desviar a pergunta, então percebo que resposta nenhuma eu terei.

A palavra “CINEASTA” é pomposa sim, enche de vaidade qualquer profissional da área, mas é preciso percorrer uma grande jornada para ganhar esse título de fato e de direito, no meu caso tenho o direito de exercer a profissão, mas o fato é que ainda estou há quilômetros de distância do domínio absoluto da linguagem do conhecimento do veículo que eu trabalho. Então agora vamos entender o que realmente é um cineasta.

Segundo o dicionário Michaelis, cineasta é a pessoa com sólidos conhecimentos da técnica e da estética cinematográfica, mas na pratica não é bem assim que as coisas funcionam, pois se fosse de dessa forma, ser cineasta iria caminhar somente para as duas vertentes descritas no Michaelis. 

Ser cineasta exige muito conhecimento? Sim, mas também exige domínio, disciplina, paciência, capacidade de convencimento, capacidade de liderança, perseverança, criatividade, dinamismo, firmeza, flexibilidade, habilidade para trabalhar em equipe, interesse pela natureza humana, ousadia, perfeccionismo, perfeição, senso crítico, senso estético, muita sensibilidade artística e equilíbrio entre o técnico e o artista para que possam vencer juntos qualquer dificuldade e limitação que sobreponha ao seu trabalho, pois não há como dissociar um do outro, ambos são os mesmos e querem as mesmas coisas. Ser cineasta é uma profissão que qualquer pessoa pode ter, mas poucos conseguirão levar até o fim, porque ser cineasta exige muita maestria, em suma, um cineasta pode ou não agregar valores imensuráveis aos seus trabalhos durante uma vida. 

Mas quanto a palavra “CINEMA” o que realmente significa?

Etimologicamente a palavra é de origem grega e significa “MOVIMENTO” é a técnica e a estética de fixar e de reproduzir imagens, é complicado estabelecer parâmetros da origem do cinema, mas a história começou a ser escrita com a criação do cinematógrafo pelos irmãos Lumière. 

Portanto, diante das explicações explanadas devemos sempre lembrar que o cinema é uma ferramenta cultural e uma arte esplendorosa, cheia de força e fonte de entretenimento no mundo todo, destinando-se ainda a educar os povos através do conhecimento da visão do mundo e de suas realidades.

                                                   Se você quer fazer um filme, faça-o. Não espere patrocínio, não espere circunstância perfeitas, simplesmente faça-o.” Quentin Tarantino.

Saturday, March 3, 2012

A arte de narrar o reconhecimento da memória



“Entre nós dois...” anuncia com perícia primordial, a característica do romance memorialista e, neste está à marca da retórica que chamamos de Temporal. O tempo nada mais é que a forma de nossa intuição interna. É dele que é subtraída a condição particular de nossa sensibilidade e que percorre o caminho do passado, consagrando a maneira de estar – no – mundo para que as experiências sejam significativas. O primeiro fenômeno que detém o leitor na estabilidade das perspectivas é o toque do telefone a chamar por alguém que possa atender ao último chamado da personagem Vania. O ambiente prepara o leitor para o pior, para desencontros e agonias, pois a chuva deságua neste momento que serve de empecilho para o evento que chega ao momento trágico da vida: a morte. Graças à manipulação temporal. As identificações dos sujeitos concorrem juntos à apresentação dos objetos e a orientação, não apenas o olhar, mas também do corpo por inteiro engajado na exploração passivo-ativa do mundo. Vania experimentou numa típica relação intersensorial na vida, nas culturas da Índia e do Amazonas. Há, ainda, a desconfiança que pesa sobre a armadilha que é a memória. Esquecer e lembrar são verbos que trazem do submundo guardado o tempo da vida, os gostos, as cores, os sabores, a evocação da relação do possível, cujo efeito é prometer ao presente narrado, a vontade que mobiliza a promessa da promessa sob os traços da constância, enquanto ela permanece indiscernível da autêntica manutenção do si mesmo. A história representa a angústia de ser e de não ser, ou melhor, o texto explora a questão da identidade de que padecem os sujeitos modernos. A crise de identidade padecida por Vania é denominada na visão antropológica de Stuart Hall, como um processo mais amplo de mudanças, que está deslocando as estruturas e abalando os quadros de referência que davam aos indivíduos, uma ancoragem estável no mundo social. Vania é sujeito nascido em uma sociedade e criada em outra totalmente diversa. Hoje, estes estudos de sujeitos errantes, deslocado e desenraizados de seu chão, mostram-no fragmentados por terem de aceitar a cultura da sociedade que o recebe, guardando no escaninho da memória os vestígios da cultura do nascimento.
O texto é como se o leitor estivesse assistindo a um filme com desdobramentos de manipulação narrativa fora da ordem cronológica original, em que, primeiro surge o aspecto do fim da vida, para depois nos transportar a um passeio pela Índia quando apresentam lugares, viagens, encontros, desencontros de costumes diferentes.
Vania andou pelo rio Ganga e veio para o Amazonas ainda criança, encantou-se com o outro rio, o Negro. Os relatos extraídos da memória do tempo distante, que foi a existência de Vania, para o mundo que a narradora se propõe conhecer, atravessam o tom confessional muito usado nos romances antigos e neste de comunicação moderna. A viagem é tema sempre constante, é por ela que o personagem entra nos mundos diferentes e congrega com sua outra espécie. E a memória, é artifício que dá ao texto o engajamento do reconhecimento no sentido mais forte da palavra, onde fica reforçada pela linguagem, pois somos sujeitos de discurso.
A cultura da Índia oferece inspiração e razões para construir a grandeza da cidade como é também ofertado no Amazonas. Aqui, a honra depende do crédito conferido pelos olhos de outrem, quase sempre.
A questão que se coloca no final deste percurso é saber se o bem comum vale como uma pressuposição ou como um resultado dos comportamentos de compromisso. O paradoxo disso talvez seja o estatuto da pressuposição, que parece se impor ao título “Entre nós dois...” seja de fim dos comportamentos de compromisso, só verificado – justificado – pela aptidão do bem comum de relativizar o pertencimento a uma um lugar em particular: a Índia ou Amazonas? Quem está entre nós dois? Vania? Entre o rio Ganga e o rio Amazonas?

 Francisca de Lourdes Louro 
 Pós-doutora em literatura pela UFAM/AM e professora da UEA