O roteiro de
longa-metragem de ficção “Reverso – Fantasma e Escuridão” é uma adaptação do
livro homônimo de Izis Negreiros lançado em 2019, pela Camafeu Publication. O
roteiro contemplado pelo Edital Conexões Culturais – Lei Aldir Blanc –
Audiovisual 2020, a obra foi desenvolvida para participar de
rodadas de negócio, fundo de investimento e Labs a fim de buscar investimento
para a viabilização da produção e assim, possa contribuir para o
aquecimento do setor do audiovisual no mercado brasileiro.
Com estória ambientada nos anos 60, “Reverso – Fantasma e Escuridão” aborda a
questão das formas de amar diante da dificuldade de viver o amor em tempos de
violência. Essa fase “pedaços” é representada sempre como
uma casa em construção através dos aspectos psicológicos aos quais os
personagens Johnny, Evaristo e Almiramar estão
inseridos após presenciarem uma briga na adolescência.
Monday, November 15, 2021
ENTRE NÓS DOIS - 3a Edição 2021
“Entre nós dois...” de Izis Negreiros ganha edição especial em 2021. Em comemoração aos seus 10 anos desde a primeira publicação o livro será distribuído de forma gratuita para compor o acervo bibliográfico de escolas publicas de Manaus, Maués, São Gabriel da Cachoeira e Boa Vista do Ramos para ações de incentivo a leitura de alunos a partir do 7º ano do ensino fundamental. O livro foi contemplado através da Lei Aldir Blanc com o Prêmio Feliciano Lana do Governo do Estado do Amazonas, com apoio do Governo Federal – Ministério do Turismo – Secretaria Especial da Cultura, Fundo Nacional de Cultura em 2020 para sua 3ª Edição impressa em língua portuguesa e foi destaque literário como finalista na Categoria Romance no prêmio Awards Focus Brasil NY - Academia Internacional de Literatura Brasileira AILB - com sede em Nova York/USA em 2021. A obra foi analisada pela professora doutora em
literatura Cassia Bezerra do Nascimento e a mestre em literatura Monike Rabelo
da Silva Lira está última, por sua vez, escreveu a apresentação da 3ª edição impressa
do livro, as professoras fazem parte do grupo de pesquisa GEPELIP/UFAM ao qual
publicou o artigo “O entre lugar identitário no romance Entre nós dois...”
publicado em 2020, na obra “Poesia, prosa e cinema – 1996-2016”. O romance aborda a arte de narrar à
memória “vida, morte e renascimento”. E, por se tratar de uma ficção, a reflexão
e a coerência vêm sempre através de seus personagens possibilitando assim, que o
leitor tome conhecimento de outros aspectos sociais e culturais em tempos
diferentes, bem como apresenta, em seu comparativo, aspectos incomuns ao longo
dos anos. A singularidade da obra que já foi traduzida para o inglês possui
imagens lúdicas de pintura em carvão reproduzida pelo artista plástico
Jefferson Campelo a partir do acervo fotográfico da autora e do fotografo
indiano Sudip. Com linguagem universal e
visual do cinema o texto perpassa em seis décadas entre Amazonas e India representada no livro por dois rios: Amazonas
e Ganga ao explorar com sensibilidade e sutileza o ponto de vista feminino a
condição da mulher. A Amazônia é o centro da discussão
política, econômica e ambiental, um espaço em que coube na obra “Entre nós
dois...” um olhar sobre sua realidade natural e humana. A predestinação dos
encontros, elemento profundo na narrativa possibilita um salto na imaginação do
leitor rumo ao fantástico. Outro recurso que podemos laurear sua composição é o
traço educativo. Além do mais, há no romance uma valiosa fonte de pesquisa para
leitores em idade escolar pela possibilidade múltipla de composição de
atividades didáticas em sala e fora dela. Por exemplo, um professor de artes
poderá trabalhar fotografia e imagens da cultura dos povos em questão; o de
geopolítica, as diversas composições culturais, econômicas e políticas do povo;
o professor de religião pode focalizar o conjunto de crenças e valores desses
povos etc. Entre os diversos recursos utilizados no livro e que acentuam
qualidade nessa obra, um deles a união do elemento nacional a uma estrangeira,
uma obra de proposta original que elege a diversidade cultural. A autora por
dominar a técnica do audiovisual permite ao leitor o aprendizado de uma forma
de linguagem próxima do visual, pode vislumbrar cenas tão bem descritas como as
de um filme, porque depreende detalhes ricos da composição de cenários e
atmosferas. Izis Negreiros apresenta uma obra interdisciplinar, em feições
ultrarrealistas sobre as essências, provocando uma grande reflexão em seus
leitores. Sunday, November 14, 2021
NO PAÍS DAS AMAZONAS
Entre os dias 23 a 25 de novembro, das 8hs às 17hs, na Escola Estadual Zima Lira Cabral 2 – Comunidade Novo Céu (Autazes) e no Clube Municipal (Urucará) será realizado a exposição “No país das Amazonas” de Izis Negreiros. A visitação será aberta ao público com entrada gratuita. Ao todo serão expostas 50 obras produzidas em 2021, na zona rural dos municípios de Urucará e Autazes. Seguindo o protocolo sanitário do COVID-19, o espaço será limitado à circulação de pessoas.
Izis Negreiros além de ser produtora audiovisual e escritora possui uma trajetória de fotografar still, seu trabalho pode ser conferido em diversas capas e cartazes, mas dessa vez ela emprestou o talento para homenagear através da arte visual mulheres comuns que vivem o dia a dia real no interior do Amazonas. Para Izis, esse registro foi de grande importância para compreender que é preciso valorar o ser humano que se dispõe a tirar a subsistência da roça, do campo e dos rios para si e para os outros.
A Amazônia vive em constante transformação, seja ela estrutural ou cultural, onde ainda podemos observar a crescente formação dos povos que nela habitam, porém, nunca se somou a isso o mérito da mulher interiorana que nela reside, assim como pouco se registrou a beleza que está além dos corpos esculturais das belas caboclas, que fazem desse cenário e unificam a diversidade e a multiculturalidade feminina atual das amazônidas. Além da exposição “No país das amazonas” será ofertado aos visitantes o calendário de 2022, contendo fotos selecionadas da exposição onde aborda um breve resumo do surgimento das cidades de Autazes e Urucará. O projeto “No país das amazonas” foi contemplado com recurso da Lei Aldir Blanc com o Prêmio Encontro das Artes do Governo do Estado do Amazonas, com apoio do Governo Federal – Ministério do Turismo – Secretaria Especial da Cultura, Fundo Nacional de Cultura.
Friday, September 10, 2021
NAS FRANJAS DE LINDÚ
Lindú é intempestiva e por causa disso aos 6 anos foi enviada para o colégio interno para ser educada por freiras. A imprevisibilidade de Lindú a fez perder diversas férias com a família. Durante o período no internato ela também não se dava conta que esquecia detalhes enquanto ficava mais velha, ao mesmo tempo em que conflitava o não pertencimento a lugar nenhum e querer ser outra pessoa. Quando Lindú, finalmente, ganha férias é que ela percebe o quanto é tortuoso voltar para casa. Então ela precisa reaprender o caminho a partir “do seu eu” de outrora e para isso é preciso se conectar as estórias incríveis do seu avô Dudu que são ligadas há um passado presente, mas que aos poucos se tornou fragmentado e assim resgatar a memória afetiva ao ser apresentada a ponte do destino através da janela (quadro) do tempo.
Sunday, April 26, 2020
DE VOLTA AO COMEÇO
2020, o ano em que a humanidade dobrou o joelho e agradeceu por respirar.
No entanto, milhares tiveram de voltar para casa do Pai.
Na pandemia iniciada com força total nas
primeiras semanas do ano alguns decidiram percorrer o caminho da negação, outros
entenderam que para eles a viagem na terra havia chegado ao fim, porém, no meio
de tanta gente perdida e sem rumo surgiu também uma legião de anjos dispostos a
dar o melhor de si e até mesmo suas preciosas vidas em nome do juramento de salvar
pessoas ao se colocarem na linha de frente de uma guerra mundial contra um
traiçoeiro e microscópico inimigo invisível. Muito tempo ainda vai se passar até ser
descoberto como, de fato, ele surgiu. Mas por enquanto só sabemos que ele é
mais poderoso do que se pode imaginar.
Agora,
precisamos perceber que a natureza nos proporciona uma lição diária para que
possamos, talvez, renascer e zelar por essa grande nave chamada planeta Terra
onde todos nós somos apenas passageiros num viagem onde há apenas um destino
certo para todos.
Saturday, December 28, 2019
A VIDA É UM ETERNO SE
Às vezes pergunto a mim mesma como seria o hoje SE eu tivesse pedido para ele ficar. Mas naquele momento só passou pela minha mente o que ele ainda poderia ter e no que eu jamais poderia oferecer. Uma família. A sua família. Pessoas que de fato estivessem dentro de sua realidade e as quais eu não poderia me enquadrar por fatores estruturais, culturais e sociais.
Nosso primeiro contato foi virtual por causa do trabalho. Achei interessantes ter coisas incomuns entre a gente. Depois conversamos e confesso: a paixão me tomou de assalto por aquela voz do outro lado do Skype. No entanto eu precisava focar em nossa longa trajetória de trabalho. Isso era importante. Por isso estava fora de cogitação mudar o curso combinado. Eu não queria estragar algo bonito em seu nascedouro. Mesmo assim, lá no fundo da minha alma eu sentia algo tardio para ser mudado. Acho que mais eu do que ele. Uma fantasia. Uma quimera com voz masculina agradável ao meu âmago que ansiava ver de perto seu rosto e abraçá-lo.
Um dia peguei um avião e fui parar em na cidade onde ele morava com a desculpa de resolver algumas coisas minhas. Ele não conhecia as minhas verdadeiras intensões, mas sabia que eu estaria lá. Contudo, eu não queria encontrá-lo. Tentei fugir desse encontro. Porém, de forma surpreendente, ele veio até mim. Acho que nunca suei tanto as mãos naquele dia. Ficou claro também para mim que ele queria me ver, sentir e olhar para minhas verdades escondidas. Por dias fiquei mal e me isolei no quarto do hotel até receber o convite dele para almoçar. Depois disso foram vários outros adoráveis encontros. Na verdade ele queria me conhecer melhor. Eu percebi isso. Todavia escondi-me dele e de mim mesma como pude. Por um tempo precisei analisar tudo aquilo por ter sentimentos crescentes por ele. Num começo de uma das várias noites paulistanas fomos tomar café com amigos incomum, depois fomos caminhar pela Paulista até meu hotel e numa travessia em uma das alamedas antes que eu colocasse o pé fora da calçada de pedestre fui puxada de súbito. Na verdade, ele me protegeu próximo de si e evitou que um carro me pegasse na pista. Até hoje sinto o braço dele entrelaçado ao meu corpo de forma respeitosa e acolhedora. Ao chegarmos ao hotel pedi para ele subir comigo para conversamos, entretanto, fui surpreendida com a interrupção de uma ligação da recepção. Fiquei sem jeito com a regra do hotel por ele ter subido ao meu quarto. De repente, fui invadida por um turbilhão de pensamentos. Fui estúpida por ter me embaralhado. No fundo eu queria que ele tivesse ficado comigo naquela noite. Eu pude ver nos olhos dele que ficaria se eu tivesse pedido. Senti-me pequena diante de uma escolha difícil. Assim mesmo, com meu coração em prantos cuidei de dar a desculpa mais esfarrapada da minha vida e o deixei ir embora. Orgulhoso, ele encarou o meu pedido com a rejeição masculina de um homem que tem o brio ferido sem ter noção da minha dilaceração interna.
Após alguns minutos tomei apressada o elevador e corri atrás dele, no entanto, era tarde demais. Voltei para o apartamento desolada. Só restou naquele instante olhar pela janela do quarto e observar aquela esquina já pouco movimentada por ter passado da meia-noite. Após esse ocorrido ele quis apenas terminar o trabalho, se distanciar e seguir adiante com sua vida. Sei. Devo ter aberto uma ferida imensa nas expectativas dele. Mas juro! O meu amor por ele tem se mantido puro e altruísta. SE um dia ele ler esse texto vai saber dos sentimentos acalentados por anos. SE eu tivesse tido mais tempo TALVEZ as poesias escritas por ele pertenceriam a mim. Sei. É tarde. Nunca mais vamos nos encontrar e arrependo-me do SE do agora.
Sunday, June 16, 2019
NA CONTRAMÃO, ÍNDIA OU AMAZONAS COMO DESTINO?
Quem passar pela “Saraiva Mega Store” poderá descobrir entre tantos títulos lançados, o livro ‘Entre nós dois...’. Intrigada, essa pessoa acabará perguntando para si: “quem é essa escritora?” Na orelha do livro (apenas uma orelha) tem apenas a informação, “Nascida em Manaus, Izis Negreiros é fotografa, produtora e roteiristas de filmes”. Na contracapa, uma rápida sinopse sobre o livro. Momento em que se descobre se trata de um romance com passagem pela cultura indiana. Apresentação do livro, Izis dispensou. Então é isso, “Entre nós dois...” é a saga de amor de Vania Gupta e Rishi.
Nascida da Índia, criada no Amazonas por força dos ‘deuses indianos’. Vania perdeu os laços com a cultura do seu país de origem. Já adulta, depois de terminar o curso de enfermagem, volta à Índia para descobrir o país em que nasceu e encontrar a identidade perdida. O meio que encontra para facilitar essa reintegração é o voluntariado. Assim, passa a trabalhar como enfermeira voluntária num hospital em Bandra, um bairro de Bombay na tradicional Índia. Mais uma vez, os ‘deuses indianos’ traçam uma nova trajetória para Vania que descobri o amor nos braços de Rishi, um médico indiano em conflito com a sua própria existência. Rish, numa investida cafajeste nos padrões ocidentais, seduz Vania que agradeceu aos ‘deuses indianos’ pelo bliss (ato de felicidade) recebido. Enfim, um amor carnal que a tornou devedora por toda a vida.
Izis, novamente ousada, arrisca um passeio pelo labirinto da cultura indiana, ao mesmo tempo em que passeia pela cultura amazônica. Através dos principais personagens, encontra-se a contraditória vida x morte, a busca da espiritualidade na tentativa de justificar a relação matéria x espírito. A nova escritora nos surpreende na forma que narra a sua história. A personagem Nina, uma curiosa sobre a cultura indiana, narra na primeira pessoa o seu encontro com Vania, em seguida permite que Vania seja a narradora da sua própria história. Na condensação dos blocos narrativos, Izis aplica um recurso muito usado na confecção de um roteiro de cinema e montagem de um filme, ou seja, não tem o compromisso com uma narrativa linear. Isso ela trás do cinema que pratica motivo que força o leitor a dar mais atenção em cada capítulo para não se perder na trajetória dos personagens. Assim, nasce uma escritora. Como escrever é um exercício. Izis Negreiros começou a exercitar com louvor.
Manaus 20 de agosto de 2011.
Roberto Rogger
diretor, roteirista e membro do Conselho Municipal de Política Cultural
Atrás do espelho - Parte I
O silêncio mata, aborrece e entristece... Podemos entender o sentimento
do perdão, mas isso não significa perdoar, pois somos frágeis, vulneráveis e às
vezes miseráveis na essência. É difícil? Sim, é difícil. A dor
não pode ser curada apenas com remédio, pois ela não é superficial, ela está na
alma. Por isso é mais difícil sarar, mesmo assim, temos de tentar esquecer algo
ou alguém. Então é melhor deixar o perdão para Deus e trazer misericórdia para
nossa vida.
"A verdade é um espelho que caiu das mãos de Deus e quebrou. Cada
um de nós recolhe um pedaço e diz que a verdade está naquele caco.”
Provérbio iraniano
Tuesday, October 31, 2017
A Mulher e o Rato
Em uma pequena casa vivia uma mulher que aparentava ter 60 anos ou mais. Costumeiramente ela saía todos
os dias pela manhã e caminhava por diversos quarteirões da cidade a pé porque
não tinha dinheiro para pagar uma condução, mas de noite, ela sempre, com o semblante
triste retornava. A porta principal da casa dava direto na sala onde o destaque estava num quadro emoldurado contendo a figura de uma menina e uma mulher entre olhando-se.
A visão do quadro era a única
coisa agradável que os olhos podiam ver meio aquelas paredes decadentes onde o
reboco envelhecido soltava-se. A cor também havia desaparecido quase que, totalmente pelo tempo. A mulher chegava sempre da rua trazendo
sobre seu ombro um saco velho cheio de quinquilharias, mesmo assim, aparentemente
exausta, a admiração dela naquela imagem parecia levá-la para um lugar mágico. Onde talvez, só ela conhecia. Observar a beleza contida nele enchia-lhe os olhos
d´água. Depois as lágrimas eram enxugadas com sua mão enrugada, suja, coberta
por uma luva de lã velha e esburacada, onde os dedos ficavam à mostra. Após um breve momento ali, ela se dirigia para outro cômodo da casa.
O cansaço era visível no corpo da mulher que preenchia apenas um lado da cama. Porém, ela não estava sozinha. Na casa, entre as frestas, também vivia um hospede secreto. De hábitos noturnos, ele, o rato, saia de sua toca para passear pelos cantos da morada da velha senhora. Ele era
um rato tocador de flauta doce. Às vezes ele se descuidava e alguma coisa caia no chão. O barulho fazia a mulher acordar. Então, prontamente, ele pegava sua
flauta e tocava. A música era tão boa aos ouvidos que a mulher voltava
a dormir logo em seguida.
Um dia, após outra rotina diária,
a mulher recolheu-se em sua cama mais cedo. Só que ela demorou pegar no sono.
E, não demorou muito um ruído veio da cozinha. Com medo de que alguém estivesse
invadido sua casa ela fingiu estar dormindo. O rato, como era de costume, pensou
que havia despertado a mulher com sua desordem. Nervoso, o rato correu para o
quarto dela ficando de prontidão ao lado da cama. Ele pegou a pequena flauta e começou
a tocar.
Ainda deitada na cama a mulher
abriu os olhos. Por um tempo ela ouviu atentamente a música do pequeno
flautista e foi a primeira vez que ela não achou que estivesse sonhando, pois estava
acordada de verdade. Subitamente a mulher levantou-se da cama e flagrou o rato.
A música cessou imediatamente. O rato assustou-se. Mas não tentou fugir. Ela
abriu um sorriso e disse-lhe - Toque. Gosto de sua música. Ela encanta. Ela me
faz feliz. Ela me faz sonhar. Ela me faz esquecer que essa vida é tão dura. E, parece que você não terá outra plateia além de mim. - A mulher deu uma piscadela
para o rato e voltou a deitar-se em sua cama.
Saturday, September 17, 2016
ELA NÃO É ELA. ELA É ELE
Ela ou ele? Como queiram se
dirigir a ela. Talvez ela deseje apenas deixar um recado ou mesmo ser uma amiga
que nos alerta para não irmos por caminhos que às vezes podemos julgar como
certo. Outro dia eu estava voltando
para casa. A estrada estava bem tranquila para dirigir no horário noturno, por isso me atrevi a
ouvir a minha playlist preferida no iPod. Já era tarde quando avistei um grupo
contendo muitas e variados estilos de motocicletas. Elas passaram rápidas por mim fazendo manobras bem ariscadas.

Para minha surpresa era um deles. Um
daqueles jovens destemidos que dias antes desbravava a estrada desafiando a
curva do inferno na mais pura euforia. Talvez, ele até tivesse passado por mim
outro dia. Não posso negar que senti um aperto em pensar que outras pessoas vinham
em outros veículos atrás dele e que poderia ter acontecido coisa pior
devido a circunstância. No entanto, a única verdade que estava a
minha frente era aquele rapaz semimorto sobre o asfalto. Um de seus colegas
andava de um lado a outro segurando o celular e aos gritos com alguém do outro lado da linha. Havia também outra pessoa vasculhando os bolsos do rapaz a procura, talvez, do celular dele para avisar os parentes.
Enquanto isso mais pessoas iam se aglomerando. E, novamente ouvi aquela mesma voz de
outro dia dizer - Eu não te disse? - Disse o quê? Perguntei sem prestar atenção em quem falava comigo. Então ele replicou - Há pessoas que chamam por ela achando que, ela é ela. Há pessoas que jamais querem vê-la. Há pessoas que imaginam que ela
é a solução, porém, há outras que apenas a temem. Também há pessoas que
simplesmente a respeitam, porque sabem que nada não se acaba em nada, e que logo
tudo passará para um estado ao qual não se pode explicar. Curiosamente, tive
vontade de voltar meus olhos para ver quem estava atrás de mim tecendo palavras de tão forte
reflexão. No entanto, além de mim só havia duas moças conversando entre si. Saí dali
pensando que a nossa consciência fala conosco o tempo todo. Que ser mau ou bom
é uma escolha de natureza humana. Que bondade e maldade não é exclusiva de ninguém, pois o que realmente pode
diferenciar uma pessoa de outra é como ela chegará ao final de tudo.

O barulho era tão estarrecedor que dentro do carro eu podia sentir o
chão vibrar. Aí acelerei também e os segui por aquela estrada. Não posso
negar que a velocidade é algo excitante, pois é fácil compreender e invejar o
que eles desejavam daquele instante, mas há uma grande diferença entre estar em
uma motocicleta e um carro protegido por uma carroceria, então o mínimo que podia acontecer, dependendo, do tipo de acidente era ter meus ossos fraturados. Porém, no caso em que algum deles caísse em alta velocidade seria algo bem inimaginável. No cruzamento seguinte finalmente os alcancei
e pude ver quantos eles eram. Eles estavam bem a minha frente
esperando em fila para descer a curva do inferno e sentir a mais pura
adrenalina. Por um momento eu disse a mim mesma - Ha! Então são vocês que todas
as quartas perturbam meu sono com o barulho desses motores? Mas como pode uma pessoa
colocar sua vida no limite? - De repente uma voz disse-me baixinho - Qualquer dia vou dar-lhe uma demonstração. Talvez apenas uma lição ou não? - Passado alguns dias depois e voltando para casa fazendo o mesmo percurso deparei-me com um aglomerado de
carros, motocicletas e gente no mesmo lugar. O trânsito estava caótico, lento e bagunçado para aquela hora da noite em uma via que não costuma ser
movimentada. Pensei que devia ser algum
acidente. Então parei o carro no acostamento e misturei-me a outros curiosos
para saber o que de fato ocorria ali.
Para minha surpresa era um deles. Um
daqueles jovens destemidos que dias antes desbravava a estrada desafiando a
curva do inferno na mais pura euforia. Talvez, ele até tivesse passado por mim
outro dia. Não posso negar que senti um aperto em pensar que outras pessoas vinham
em outros veículos atrás dele e que poderia ter acontecido coisa pior
devido a circunstância. No entanto, a única verdade que estava a
minha frente era aquele rapaz semimorto sobre o asfalto. Um de seus colegas
andava de um lado a outro segurando o celular e aos gritos com alguém do outro lado da linha. Havia também outra pessoa vasculhando os bolsos do rapaz a procura, talvez, do celular dele para avisar os parentes.
Enquanto isso mais pessoas iam se aglomerando. E, novamente ouvi aquela mesma voz de
outro dia dizer - Eu não te disse? - Disse o quê? Perguntei sem prestar atenção em quem falava comigo. Então ele replicou - Há pessoas que chamam por ela achando que, ela é ela. Há pessoas que jamais querem vê-la. Há pessoas que imaginam que ela
é a solução, porém, há outras que apenas a temem. Também há pessoas que
simplesmente a respeitam, porque sabem que nada não se acaba em nada, e que logo
tudo passará para um estado ao qual não se pode explicar. Curiosamente, tive
vontade de voltar meus olhos para ver quem estava atrás de mim tecendo palavras de tão forte
reflexão. No entanto, além de mim só havia duas moças conversando entre si. Saí dali
pensando que a nossa consciência fala conosco o tempo todo. Que ser mau ou bom
é uma escolha de natureza humana. Que bondade e maldade não é exclusiva de ninguém, pois o que realmente pode
diferenciar uma pessoa de outra é como ela chegará ao final de tudo. Tuesday, October 28, 2014
O SER MALUM
Será que o cinema está
deixando o velho estilo de criar mocinhos e heróis para humanizar a vilania? Ou querem apenas lembrar que a essência humana não é má? Ao contrário
do que muitos de nós pensamos a bondade de um indivíduo pode sim, ser
transformada em pura maldade. No entanto, antes de qualquer julgamento é
preciso entender os fatores que originaram o malum, que muita das vezes pode ser justificado por razões adversas. Por gerações cultivamos a simpatia pelos paladinos,
porém, nunca paramos para pensar sobre qual é a motivação dos vilões para serem
sempre tão vingativos e tiranos. Então que tal olharmos para o passado de dois
grandes perversos que recentemente foram humanizados pelo cinema? Sim,
humanizados, por que não usarmos esse termo para compreender o que os levou a
práticas tão cruéis e implacáveis?
Primeiramente, vamos decifrar
um pouco sobre Vlad III, o empalador que foi príncipe de uma província chamada Valáquia na Romênia.
Historiadores o descrevem como um homem que torturava até a morte espetando os
inimigos enquanto as artes o retratam como um ser grotesco e sedento de sangue
que mata casualmente.
Desde a invenção do cinema o
sanguinário vampiro tem inspirado muitas outras versões que vão desde o clássico
“Nosferatu – O vampiro da noite” de Herzog a “Drácula de Bram Stoker”, ambas as interpretações foram baseadas
na obra do escritor irlandês Bram Stoker. Outra inspiração que também deve
ser lembrada de Drácula é a interpretação do brilhante ator húngaro Béla Lugosi.
No momento temos a versão mais recente dele “Drácula - A história nunca contada”
de Gary Shore, no entanto, este ainda não supera o imbatível filme de Francis
Ford Coppola que trás um vilão sedutor, sarcástico e duramente cruel. Mas afinal,
o que realmente queremos perceber na origem do malum? Na verdade, queremos enxergar a quebra do paradigma oferecido na
versão de Shore quando nos apresenta um vampiro humanizado que luta com o mais
forte pelo mais fraco, onde a crueldade é a defesa do oprimido, todavia, isso
não reflete nem de perto a verdadeira história de Vlad III.
Não obstante, temos Malévola,
outra personagem controvérsia, esta por sua vez foi traída, seu malum é justificado pelo ato de punir aqueles
que não lhe fizeram mal somente para atingir o verdadeiro culpado do seu
sofrimento. Contudo, a sua redenção ressurgi quando a humanidade restante é
resgatada pelo arrependimento do perdão pelo amor.Friday, July 25, 2014
TEMPO DE ESPERA
“Se quer saber nunca é tarde
demais...pra ser quem você quiser ser.”
A expressão “Se não for de novo, de
velho é que não escapa” faz lembrar que o mundo é uma grande nave e que somos todos
passageiros nela. O bilhete para alguns é grátis, porém, para outros nunca sai
de graça. A volta é sempre garantida depois de algum tempo, além de resultar em
situação boa ou ruim, mas isso vai depender se algo ficar inacabado durante o
trajeto. O percurso também pode ser longo ou curto, no entanto, isso não é
determinado por nós. É prudente lembrar que a coisa mais importante da viagem é
cumprir a temporada. Se por acaso pensar em fazer a besteira de saltar da nave
antes do prazo estipulado tenha em mente a certeza que ficará vagando pelo
espaço perdido sabe lá por onde até encontrá-la de novo e concluir o itinerário a partir de onde parou.
“Não há limite de tempo, comece quando você quiser. Você pode mudar, ou ficar como está. Não há regras pra esse tipo de coisa. Podemos encarar a vida de forma positiva ou negativa. Espero que encare de forma positiva.”
“Não há limite de tempo, comece quando você quiser. Você pode mudar, ou ficar como está. Não há regras pra esse tipo de coisa. Podemos encarar a vida de forma positiva ou negativa. Espero que encare de forma positiva.”
A pior coisa é começar algo do nada,
porém, esse nada também pode significar alguma coisa, por isso que durante a
jornada terá de realizar tudo que for necessário para não deixar qualquer
pendência, sem esquecer ainda que deve rezar para não ter de retornar
novamente, pois a nave é senhora do seu tempo e do seu destino.
“Espero que veja coisas que surpreendam você.
Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes. Espero que conheça pessoas com
pontos de vista diferentes. Espero que tenha uma vida da qual se orgulhe.”
No decorrer do tempo que estiver na nave procure ver tudo, experimentar tudo, amar tudo, sentir tudo, mesmo que seja dor e lágrimas.
"Estamos destinados a perdermos as pessoas que amamos. De que outra forma saberíamos o quanto elas foram importantes?"
Porque o verdadeiro sentido de viajar nessa
nave é aprender a doar-se, perdoar a si mesmo e aos outros mesmo que sem
vontade e merecimento, amar e ser amado, compreender e ser compreendido caso
isso seja possível, ser irredutível e tirano, mas também ser a luz para alguém
ou para muitos, pois perder ou ganhar realmente não faz ninguém melhor e nem
pior.
“E se você descobrir que não tem, espero que tenha forças pra conseguir começar novamente.”
“E se você descobrir que não tem, espero que tenha forças pra conseguir começar novamente.”
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