Sunday, February 10, 2013

ENTERRAR A MÁGOA COM UM BEIJO

Reprodução
Um prisioneiro veio a júri popular e se dizia inocente do seu crime, mas que estava arrependido. Enquanto isso na sala do fórum havia 25 pessoas, além dos incontáveis espectadores, no que se seguiu adiante os 25 presentes foram convocados a apresentar-se e formar entre eles o corpo de jurados por sorteio, 3 mulheres e 9 homens foram sorteados, formando assim, o Conselho de Sentença.
Reprodução
Tanto Juiz e Promotor eram bem jovens, enquanto o Defensor, um senhor pequeno e magro que aparentava ter uns 65 anos ou mais, pediu desculpa, por estar atrasado, pois esta seria a última audiência antes de encerrar sua carreira. Nas horas que sucederam o Juiz em sua sabedoria e conhecimento da jurisprudência entrevia quando necessário, enquanto o Promotor usava de suas artimanhas para complicar mais o réu no palco do teatro da justiça. 
Reprodução
Durante horas e horas os espectadores puderam assistir com atenção o duelo da justiça versos o motivo de cometer um crime, onde Deus e o homem eram analisados para ver quem tinha razão. Porém, o desfecho desse julgamento veio nas considerações finais, quando a plateia, o Juiz e os jurados começaram a se perguntar quais são os fatores que levam alguém a cometer um crime? O que estava de fato certo ou errado? Se realmente o réu era culpado ou inocente? A dúvida já havia sido instalada e questionar o valor humano e a Divindade era imprescindível naquele momento. Mas o ápice do show ainda estava longe de acabar, faltava o promotor em seu discurso inflamado pedir a pena máxima para o réu, que, posteriormente assim o fez. 
Reprodução

E sob curiosos olhares expectantes, estava lá, o palco da justiça. Então entra o senhor Defensor, e diz que não falará mais nada, porém, que ainda há tempo suficiente para que não se cometa outro erro, para isso ele pede atenção para que todos juntos, possam, assistir ao filme “Coração valente” e depois se faça uma autoanalise daquilo que é certo ou errado da justiça de Deus e do homem, concluindo com o pedido da absolvição do réu. “no século XIII, soldados ingleses matam a mulher do escocês William Wallace (Mel Gibson), bem na sua noite de núpcias. Para vingar à amada, ele resolve liderar seu povo em uma luta contra o cruel Rei inglês Edward I (Patrick McGoohan). Com a ajuda de Robert e Bruce, ele vai deflagrar uma violenta batalha com o objetivo de libertar a Escócia de uma vez por todas.”



Estátua de William Wallace na Escócia

O século XIII é marcado, segundo os estudiosos como o século mais brilhante da idade medieval, sendo constituída por três classes sociais: nobreza, clero e povo, seguindo por estas vertentes o roteirista descreveu, talvez, sem saber, 23 Artigos do código Civil baseados na lei do homem e na lei de Deus o roteiro do longa-metragem “Coração valente”. Eu já sei quais são e você? Não adianta procurar no google. Conselho: comece pelo código civil e terminine com a biblia.


“use a mente e depois a espada para ferir”

Tuesday, January 1, 2013

TRANSE E REFLEXÕES



Escrever minha primeira crítica literária muito me orgulha, ainda mais dissertar sobre o trabalho da jovem escritora Izis Negreiros e sua obra “Entre nós dois...”e como jornalista escritora que também sou,  ao realizar este trabalho tão sério que  é a análise de um romance, senti que teria uma grande carga de responsabilidade, por saber quanto tempo de pesquisa, tratamentos e revisões, a autora teve de fazer.
Ao receber o exemplar do livro com dedicatória e tudo que eu tinha direito, comecei a devorá-lo no outro dia, aí entrei numa espécie de transe e reflexões... Mesmo eu sendo uma “devoradora de livros”, os livros são minha melhor companhia, poucos escritores amazonenses me chamaram a atenção nestes últimos anos...“com exceção, é claro, das obras de Márcio Souza”, porém senti um certo incômodo ao ler e tentar decifrar o trabalho  da autora,  onde não havia um prefácio, portanto não propiciava uma preparação do leitor para o que viria a encontrar em seu conteúdo, então, deixei-me levar pelas palavras. A narrativa apresenta uma forma não linear, o texto apresenta um emaranhado na construção literária como se fosse um labirinto   ainda nas primeiras páginas em relação a personagem Vania e o personagem que narra o texto na primeira pessoa. Seria este um livro autobiográfico? Ah! Pouco me importa que seja. Eu mesma já me transportei para tantas personagens ditas “ficcionais” e me vi na trama. No fundo eu também queria “encontrar o sentido da existência das minhas emoções” logo outro trecho chamou-me a atenção onde visualizei as palavras como se fossem imagens contidas em um filme “do lado de dentro do aeroporto, posso observar o reflexo esplendoroso do sol forte transpassar pela parede de vidro da sala de espera” e esta luz forte me invadiu a alma, observei o plano sequência que se estendia numa pista de decolagem, um rápido close na mulher que observa os aviões que logo estaria saindo do país para outro longínquo e exótico que a muito tempo povoava seus sonhos e desejava conhecer, a India.
Embora a forma descrita literalmente nas primeiras páginas, mudavam bruscamente as situações e as ações e palavras dos personagens se traduziam em forma de diálogo e outras vezes, explicativa e descrevia  como um roteiro de cinema, ainda seguindo esta escrita a introdução dos personagens na trama, mas o sofrimento e a dor dilacerante de Vania e aquela relação de amizade com Nina, me comoveu de uma forma que descrevia toda a beleza, a bondade e a generosidade do amor fraternal e citando Caetano, eu diria que “a poesia está para a prosa, assim como amor está para a amizade...E quem há de negar que esta lhe é superior!”
Empolguei-me com as aventuras e desventuras de Vania; como personagem principal, que não sábia o que iria encontrar ou aonde chegaria...Basta dizer caro leitor que Vania chega à índia e narra incríveis observação de um universo diferente, inúmeras surpresas que lhe revelava aquele outro lado do mundo muito diferente do que ela imaginava ser.
Para Vania não lhe interessava o contexto político, social de um país que todos criticam, conhecido pelo grande teor de miséria, transito caótico transitando junto com vacas, elefantes e bicicletas. Percebi o respeito da autora por essa cultura que é tão antiga e milenar de um povo que cultiva desde Sidarta Gautama a mais linda forma de religiosidade.
Ao invés de abordar um país de miséria e diferenciações sociais em nenhum momento descrimina este mundo urbano de diferenças sobre seu ponto de compreensão, pelo contrário, ela descreve seu olhar diante do que vê deste país de forma mágica, cativante sem nenhum comprometimento sobre o real e desta forma o livro caminha, sempre indagando sobre a compreensão de seu entendimento ou não? Basta comentar que os personagens vão além de nossa imaginação na forma de um retrato, o que me lembrou em parte o trabalho de Magarite Duras em seu livro “O amante”, claro que a autora, observa sua obra do ponto de vista onde nós leitores nos esquecemos do óbvio, pois entramos no mergulho narrativo intenso das aventuras e desventuras dos personagens e sua viagem em busca do novo de nossas próprias vidas. 


Socorro Langbeck
Mestre em fotografia e jornalista        




Friday, November 30, 2012

ETICAMENTE CORRETO

Quando me refiro à questão eticamente correto, estou referindo-me na conciliação da fé e a razão, a primeira pertencente ao amor de Deus e a segunda na minha própria visão do que pode e o que não pode ser aceito por Ele para o aprimoramento da conduta moral do homem. Mas, às vezes eu realmente gostaria de entender o que passava na mente dos filósofos quando eles começaram a questionar a forma de como o homem pode viver no mundo respeitando o verdadeiro significado da ética ao impor padrões morais à vida, sendo que muitos deles foram criados pelo homem em nome de Deus e não por Deus, pois Ele deu ao homem a liberdade da consciência para que ele pudesse respeitar a si próprio e assim, alcançar a verdade que existe dentro dele.

A vida seria perfeita, se o que falássemos realmente pudesse ser posto em pratica, isso levaria o homem à perfeita consciência de praticar sempre bons atos em prol do seu próximo, pois a ética e a moral é o questionamento perfeito para retratar o caráter do homem nesse aspecto, mas ao mesmo tempo elas são complexas quando adentramos na forma como o homem pensa o mundo em que vive. Então vamos sair do que seria o ideal e entrar para realidade, onde o homem prega o valor do ato imposto pelo padrão, mas não o pratica no dia a dia. A partir desta linha de pensamento o homem poderia sim, repensar o ambiente em que vive e o tornando melhor, respeitando seus limites e os dos outros, não sendo perfeito, mas tomando atitudes imparciais e refletir sobre tudo.  É inegável reconhecer, mas quando o homem toma consciência do que ele pode e o que não pode fazer sem estar amarrado aos questionamentos morais da sociedade, ele dá um passo para o conhecimento e a pratica da verdadeira libertação do pensamento do mundo em que vive, deixando-o assim melhor para as gerações futuras.

Se você quer mudar o mundo, experimente primeiro promover o seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações no seu próprio interior” 
                            Dalai Lama
 

Sunday, November 18, 2012

CIDADE DA BORBOLETA

É dolorosa a metamorfose para uma borboleta, que nasce larva, depois vira lagarta, e logo seu pequeno corpo se envolta na crisálida. Esse também é o tempo que temos em nossa forma humana, pois nosso nascimento é muito doloroso, o estágio da nossa vida é o aprendizado, nossa crisálida é construída em volta do que ensinamos, mas assim como a borboleta, por mais que voemos bem alto, às vezes não é possível alcançar o céu.                                                                                
Na simbologia a borboleta é representada de diversas formas, para alguns ela é o símbolo da rapidez e da inconstância, na psicanálise moderna ela é o símbolo do renascimento, em algumas culturas ela pode significar graciosidade e felicidade matrimonial, para outros, ela também pode ser comparada a um espírito voador que anunciam a morte, outro exemplo de símbolo é o ovo (crisálida) que simboliza a ressurreição. 
Em nosso tempo ninguém melhor do que Freddie Mercury para dar um novo significado a ela quando a descreveu na canção The Show Must Go On com a frase minha alma é pintada como as asas das borboletas”Mas o que importa isso?  O que acontece se o circulo é interrompido de forma brusca e violenta? Bom, essa é uma boa pergunta sim, antes de responder conversei comigo mesma e pensei “Se eu fosse Deus? O que eu faria?" Depois de muito meditar cheguei a seguinte conclusão: Nada! Para a humanidade foi dada o Don da escolha e somente a ela cabe fazer as escolhas e deixar que a borboleta continue a embelezar nosso jardim na terra, ou continuar com a estupidez de arrancar de sua crisálida a borboleta que está em transformação para a vida! Porque está escrito em uma das passagens bíblicas “vinde a mim os puros de coração, pois delas é o reino do céu”. Então cito as frases de reflexão que há nas letras das músicas da banda Queen, como exemplo dou novamente The Show Must Go On na parte que fala “de novo e de novo, alguém sabe pelo que nós estamos vivendo?. Volto atrás no tempo, exatamente nos anos 80, e observo a citação da canção em Innuendo. “enquanto nós vivermos de acordo com raça, cor ou credo. Enquanto nós formos comandados por loucura cega e ganância pura”.
Foto reprodução
Agora você pergunta-me: Que ligação há em tudo isso com o conflito recorrente de israelenses e palestinos? E eu respondo o seguinte: Nesse momento, liberta-se a borboleta do casulo vazio, escuro de transformação rumo a uma nova vida, ao verdadeiro céu.

              Tudo neste mundo tem o seu tempo; cada coisa tem a sua ocasião.
Eclesiastes 3