Wednesday, July 21, 2010
Sunday, May 9, 2010
Saturday, April 24, 2010
Como nasce um livro
Quando criança eu era pequena e magra, dançava, pulava, tomava banho de rio, corria, mas a coisa que mais me deixava feliz era fazer a viagem mental pelo mundo da leitura, mesmo sem saber interpretar nada do que havia escrito nos livros do meu papai. Eu gostava também de subir no telhado de casa e debruçar-me sobre o relento para ver o céu e a lua, perdia a noção do tempo quando adormecia na tentativa incansável de contar as estrelas.

De lá eu sonhava, imaginava, ria, escondida minha emoção até alguém aparecer e me puxar de novo para a realidade. Durante anos de minha vida o desejo de escrever tornou-se uma necessidade. Dentro de mim sempre houve uma carga muito forte de energia a ser liberada, mas também havia dificuldade de colocar no lugar certo tanto sonho e imaginação. A experiência da vida me fez entender que ao organizar pensamentos eu podia também transformá-las em ideias. Então nasceu o livro do amor e da alma, que fala do silencioso sofrimento de pessoas, que ajuda o próximo, que passa conhecimento, que libera imagens em forma de letras e solta o momento guardado na memória. Passei minha vida atrás deste sonho, mas não queria que as coisas fossem de qualquer jeito. Hoje sei que Deus me preparou muito para isso. Até chegar ao destino final tive de percorrer por uma longa estrada tortuosa na busca por tudo isso. Muitas vezes tentei desistir de escrever, porque a ideia do momento não tocava a profundeza da minha própria alma. Por muito tempo juntei milhares de anotações somente para não esquecer o que havia escrito, não queria fazer da minha mente um deposito de ideias e pensamentos que logo seriam esquecidos ou me esforçar mentalmente para recordar das coisas. Desde então passei a ter sempre comigo um pequeno caderno, em qualquer lugar que eu estava e se houvesse algo que chamasse minha atenção era descrito naquele pedaço em branco. Com a chegada do computador meus rascunhos foram transcritos e transformados em dados e mesmo com toda a tecnologia o pequeno caderno de anotações ainda não consegui aposentar de vez. ENTRE NÓS DOIS é uma obra que levou anos para ser concebida, cresci sabendo que um dia ele chegaria. Só não sabia quando, mas chegou.
Wednesday, February 17, 2010
O TEMPO NÃO VOLTA
Quando
alguém fere outro, muita coisa muda, os sentimentos iniciam o processo de
decomposição. Isso pode acontecer com um pai pelo filho, um filho pelo pai, ou
mesmo por um grande amor. Nunca saberemos toda verdade, é melhor não querer
saber, porque depois sobrarão apenas os restos das lembranças da paz perdida.
Podemos pensar que temos tudo, mas quando descobrimos o vazio, chega o silêncio
e tudo muda. O que mais queremos neste momento? Queremos apenas o escuro do
quarto à meia-noite para pensar e sonhar um pouco. Neste momento queremos
encontrar uma forma de esquecer e ter o nosso mundo e nada mais. Queremos o
mundo que era a razão da existência e resistência, mesmo assim, depois de tanto
pensar e sonhar também se perde a certeza de sorrir de novo sem o trago da
amargura. Como ser livre? Como ser capaz de ver o novo dia?
Wednesday, August 5, 2009
JANELA DOS SONHOS
Pelo olhar de menino
olhe o tempo desprendido
e verá que tudo é apenas estória
OLHOS DE MENINO
OLHE A VIDA DESPRENDIDA
E VERÁ O SORRISO DE UM MENINO
OLHE A VIDA DESPRENDIDA
E VERÁ A VIDA PASSAR DEPRESSA
OLHE A VIDA DESPRENDIDA
E VERÁ QUE TUDO É UM SONHO
OLHE A VIDA DESPRENDIDA
E VERÁ UM MENINO DESCOBRINDO O AMOR
OLHE A VIDA DESPRENDIDA
E VERÁ PELOS OLHOS DE UM MENINO
OLHE A VIDA DESPRENDIDA
E O TEMPO CONTARÁ APENAS UMA HISTÓRIA
Quase sempre por detrás
das câmeras há cenas inesquecíveis, finalmente eu assino a direção de um
filme que detém um valor sentimental e que remete aos tempos de minha infância,
seja contando estórias, ou seja, ouvindo alguém contar...
Friday, May 22, 2009
ILUSÃO
O tema “degradação social da família” abordado
em Eçoí, palavra usada pela etnia Saterê-maué para dar sentido a
utopia do homem. Por essa linha de partida eu mostrei visualmente um
espelho da vida social da maioria das famílias brasileiras que vivem em lugares
sem o mínimo de infraestrutura. Na luta constante por uma perspectiva de
vida melhor o núcleo familiar acaba sofrendo todo o tipo de degradação social
na busca incansável de um futuro melhor. Toda história começa com o sonho
de Amâncio que busca uma vida melhor na cidade grande, mas seus sonhos acabam
virando pesadelos depois que ele vê sua família se envolve em drogas, álcool,
prostituição e traição. A primeira versão do roteiro foi escrito por mim
em 2004, a ideia original é de Hilmar Pinto. A princípio ele pediu-me para que
fosse roteirizada a ideia e depois de ter passado muito tempo ele retornou para
minhas mãos para ser transformado em roteiro de longa-metragem, porém, a
melhor saída foi transformá-lo em média-metragem, sem perder a principal
essência e seus conflitos. Tive de reconstruir quase tudo e vê-lo limitado a
32'. O desafio foi aceito e sem arrependimento. Hoje tenho orgulho de
apresentar um pouco dele para vocês. A minha maior inspiração para produzir
esse trabalho foi experimentar pela primeira vez o kistch, linguagem
estética muito usada nos filmes latinos que considerada uma linguagem “brega”
para muitos. A escalação dos atores foi essencial para termos um bom
trabalho de elenco e contou com uma dobradinha entre os atores amazonenses
Gomes de Lima e Rosa Malagueta. Entre os atores que me surpreenderam neste
trabalho estão Luciana Procópio, Jean Nogueira, Leonardo Marcell, pois eles
agarraram o personagem e ficaram para si.
Saturday, May 9, 2009
CURIOSIDADES E BONS EXEMPLOS DA INCREDIBLE ÍNDIA
Interessante a seta indicando apenas onde fica o banheiro masculino, isso lembra algo conhecido?
Pense na costa do coitado que estava levando esse monte de coco. Eu senti pena dele, mas ele aceitou que eu fotografasse sua bike peso pesado.
Já pensou se essa moda pega no Brasil, trabalhar com os pés muito a vontade। Que felicidade.
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Na Índia estudantes caminham quilômetros para ir à escola, enquanto no Brasil, a escola é ali na esquina, pagamos altos impostos, o moleque tem direito a farda, livros, abusar do professor e com tudo isso falta à aula e repete o ano.
Bom exemplo que a Incredible Índia dá... Essas placas também poderiam existir no Brasil, pelo menos aqui na Amazônia falta em todo lugar.
Isso não é lixo jogado por indianos, é lixo jogado por turistas ocidentais no hotel que passei uma noite.
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Aqui nem tudo é por dinheiro, mas vale tudo para não cortar mais uma árvore, até mesmo remendar esse pedaço de pau.
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Procura-se sutiã e calcinha desesperadamente, foi o que aconteceu comigo em Gokarna/Goa, depois de rodar todas as lojas da praia e não consegui comprar nenhuma peça íntima eu acabei apelando para lavar as minhas calcinhas sujas no hotel, foi nesse momento que eu lembrei que a mulherada indiana não costuma usar calcinha, principalmente se estiver de sari, para você mulher que vier para a Índia, não esqueça de trazer o estoque de calcinha e sutiã, porque o meu não deu.

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Eu não vi putaria brasileira e nem indiana na Índia, mas putaria européia SINCERAMENTE sem palavras। Somente nas praias de Goa o que havia de gringa dando sopa, não era brincadeira e sem contar que só faltava colocar uma placa de identificação na comissão de frente escrita “use-me e abuse-me”. Depois somos nós brasileiros que pegamos à fama de gostar da putaria. Sem contar que num país onde o corpo feminino não deve estar exposto por uma razão muito obvia por se tratar de uma terra de homens, a mulher não deve provocar situações constrangedoras em torno de si, principalmente estrangeiras, usar biquíni é algo muito complicado.
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Esse é o planeta chamado Incredible Índia:-)))
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Saturday, March 28, 2009
O ATO DE VER E PENSAR
Tall Kaveri no templo River Caveri Origination, se você não sabe onde fica o céu, esse lugar está no caminho.O DIA QUE VOCÊ ME AMAR

Para chegar à pequena cidade de Gokarna e por fim ON BEACH foi uma verdadeira ralação de subidas e descidas por tortuosas estradas em aclive e declive.Tuesday, March 24, 2009
Tuesday, March 17, 2009
BEIJOS NO ASFALTO DA INCREDIBLE ÍNDIA
PELO CABELO DE GANGA

Da terra dos deuses nasce o Ganges que dá origem ao mito e a divindade.
Sunday, March 8, 2009
Chamar a Índia de incrédula é fácil, escrever sobre ela é um desafio. Expor seus tabus fica a cargo da diretora indiana Deepa Mehta como o filme “FIRE”, ver e sentir o verdadeiro sentido da palavra “esperança” sob o olhar das imagens de “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?” é com o diretor inglês Danny Boyle e poder olhar esse país com desprendimento é para ALMAS SENSÍVEIS. Minha visita à Índia foi motivada pela compreensão do diferente. Eu não sofri choque cultural porque sou uma pessoa de hábitos simples. O que eu escrevo não são críticas e nem reclamações, são situações vividas por uma brasileira que olhou a Índia apenas como um ser humano deve o olhar o outro mesmo que certas situações possam ser absurdas e e tentar explicar possa ser mais ilógico ainda. A Índia pode ser o país do contrassenso, mas o meu país chamado Brasil é o país dos excluídos e onde tudo é permitido. Para toda causa também existe efeito e se colocarmos o belo na frente do feio e tivermos de fazer uma escolha, com certeza escolheremos o belo, mas vale ressaltar também que nem tudo que é belo é realmente belo e nem tudo que é feio é realmente feio.
Na Índia o pouco se torna muito para a maioria das pessoas e mesmo que ela viva em processo de evolução social e econômica o povo indiano vive forjando o seu real valor, pois se perde milhões de rúpias por não saber ou não querer fazer com que o tradicional e o moderno andem lado a lado. O tempo não passa na Índia e nos dá tempo para repensar na essência do valor humano e viver um dia de cada vez, lembrando o quanto somos apegados ao mundo material e capitalista. Nós não podemos aceitar o mundo da irracionalidade, dos excluídos e onde tudo pode, mas também não podemos culpar a nós mesmo se um ser humano nasce pobre ou rico e questionar “por quê” tudo que não é aceitável é pior. A vida nunca será justa para ninguém, muitos nascem pobres e morrerão pobres e poucos nascerão ricos e morrerão ricos, ou pode acontecer o inverso de situações, seja ele material ou espiritual. Não podemos escolher onde iremos nascer, mas podemos escolher onde iremos viver se a condição humana permitir, por isso é melhor tentar entender.
Então vamos oferecer o melhor que tivermos, mesmo que seja pouco ou quase nada, sem esperar nada em troca, a satisfação disso tudo está em ver por um momento um sorriso estampado no rosto de uma pessoa que conhece muito pouco o que é felicidade, mesmo que isso dure o tempo do abrir e fechar de um olhar. É preciso compreender nós nunca poderemos resolver os problemas da humanidade, mas se fizermos uma pessoa sorrir o céu se abrirá e Deus ficará satisfeito em ver crescer a pirâmide da esperança no mundo.
A maioria das pessoas que visitam a India reclama da sujeira, do fedor, do machismo, da submissão da mulher, do caos no trânsito, da higiene, da falta de educação, da bagunça e sem falar da falta de infraestrutura que é geral. Sandra Bose tem razão ao usar a sinceridade em suas palavras “quem quer ver tudo limpo, funcionando e organizado, não vá para a Índia, vá para Europa” a Índia não é um lugar ideal para ser visitado “por pessoas limpas” lá se aprende que se sujar faz bem para o corpo e a alma.

A Índia trouxe-me coisas boas e o meu melhor momento foi ver Bombay adormecer e acordar sem fechar os olhos para a vida. Da janela do meu quarto eu pode ver a vida desprendida passar depressa. Eu não sofri nenhum tipo de preconceito, talvez, por parecer com uma mulher indiana, mas quando eu abria a boca para falar meu inglês abrasileirado acabava sempre virando o centro das atenções e quando falava sobre a Amazônia era como falar de Marte. Os indianos têm muitas curiosidades sobre o Brasil e foi na Índia que eu dei-me conta que o Brasil também tem várias Índias, pena que ambos se conhecem tão pouco. O que a Índia sabe sobre nós brasileiros? Resume-se a carnaval, futebol e mulher pelada. E o que nós brasileiros sabemos sobre os indianos? Limita-se apenas ao machismo, as vacas sagradas e na submissão da mulher. NAMASTE
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