O tema “degradação social da família” abordado
em Eçoí, palavra usada pela etnia Saterê-maué para dar sentido a
utopia do homem. Por essa linha de partida eu mostrei visualmente um
espelho da vida social da maioria das famílias brasileiras que vivem em lugares
sem o mínimo de infraestrutura. Na luta constante por uma perspectiva de
vida melhor o núcleo familiar acaba sofrendo todo o tipo de degradação social
na busca incansável de um futuro melhor. Toda história começa com o sonho
de Amâncio que busca uma vida melhor na cidade grande, mas seus sonhos acabam
virando pesadelos depois que ele vê sua família se envolve em drogas, álcool,
prostituição e traição. A primeira versão do roteiro foi escrito por mim
em 2004, a ideia original é de Hilmar Pinto. A princípio ele pediu-me para que
fosse roteirizada a ideia e depois de ter passado muito tempo ele retornou para
minhas mãos para ser transformado em roteiro de longa-metragem, porém, a
melhor saída foi transformá-lo em média-metragem, sem perder a principal
essência e seus conflitos. Tive de reconstruir quase tudo e vê-lo limitado a
32'. O desafio foi aceito e sem arrependimento. Hoje tenho orgulho de
apresentar um pouco dele para vocês. A minha maior inspiração para produzir
esse trabalho foi experimentar pela primeira vez o kistch, linguagem
estética muito usada nos filmes latinos que considerada uma linguagem “brega”
para muitos. A escalação dos atores foi essencial para termos um bom
trabalho de elenco e contou com uma dobradinha entre os atores amazonenses
Gomes de Lima e Rosa Malagueta. Entre os atores que me surpreenderam neste
trabalho estão Luciana Procópio, Jean Nogueira, Leonardo Marcell, pois eles
agarraram o personagem e ficaram para si.
Friday, May 22, 2009
Saturday, May 9, 2009
CURIOSIDADES E BONS EXEMPLOS DA INCREDIBLE ÍNDIA
Interessante a seta indicando apenas onde fica o banheiro masculino, isso lembra algo conhecido?
Pense na costa do coitado que estava levando esse monte de coco. Eu senti pena dele, mas ele aceitou que eu fotografasse sua bike peso pesado.
Já pensou se essa moda pega no Brasil, trabalhar com os pés muito a vontade। Que felicidade.
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Na Índia estudantes caminham quilômetros para ir à escola, enquanto no Brasil, a escola é ali na esquina, pagamos altos impostos, o moleque tem direito a farda, livros, abusar do professor e com tudo isso falta à aula e repete o ano.
Bom exemplo que a Incredible Índia dá... Essas placas também poderiam existir no Brasil, pelo menos aqui na Amazônia falta em todo lugar.
Isso não é lixo jogado por indianos, é lixo jogado por turistas ocidentais no hotel que passei uma noite.
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Aqui nem tudo é por dinheiro, mas vale tudo para não cortar mais uma árvore, até mesmo remendar esse pedaço de pau.
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Procura-se sutiã e calcinha desesperadamente, foi o que aconteceu comigo em Gokarna/Goa, depois de rodar todas as lojas da praia e não consegui comprar nenhuma peça íntima eu acabei apelando para lavar as minhas calcinhas sujas no hotel, foi nesse momento que eu lembrei que a mulherada indiana não costuma usar calcinha, principalmente se estiver de sari, para você mulher que vier para a Índia, não esqueça de trazer o estoque de calcinha e sutiã, porque o meu não deu.

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Eu não vi putaria brasileira e nem indiana na Índia, mas putaria européia SINCERAMENTE sem palavras। Somente nas praias de Goa o que havia de gringa dando sopa, não era brincadeira e sem contar que só faltava colocar uma placa de identificação na comissão de frente escrita “use-me e abuse-me”. Depois somos nós brasileiros que pegamos à fama de gostar da putaria. Sem contar que num país onde o corpo feminino não deve estar exposto por uma razão muito obvia por se tratar de uma terra de homens, a mulher não deve provocar situações constrangedoras em torno de si, principalmente estrangeiras, usar biquíni é algo muito complicado.
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Esse é o planeta chamado Incredible Índia:-)))
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Saturday, March 28, 2009
O ATO DE VER E PENSAR
Tall Kaveri no templo River Caveri Origination, se você não sabe onde fica o céu, esse lugar está no caminho.O DIA QUE VOCÊ ME AMAR

Para chegar à pequena cidade de Gokarna e por fim ON BEACH foi uma verdadeira ralação de subidas e descidas por tortuosas estradas em aclive e declive.Tuesday, March 24, 2009
Tuesday, March 17, 2009
BEIJOS NO ASFALTO DA INCREDIBLE ÍNDIA
PELO CABELO DE GANGA

Da terra dos deuses nasce o Ganges que dá origem ao mito e a divindade.
Sunday, March 8, 2009
Chamar a Índia de incrédula é fácil, escrever sobre ela é um desafio. Expor seus tabus fica a cargo da diretora indiana Deepa Mehta como o filme “FIRE”, ver e sentir o verdadeiro sentido da palavra “esperança” sob o olhar das imagens de “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?” é com o diretor inglês Danny Boyle e poder olhar esse país com desprendimento é para ALMAS SENSÍVEIS. Minha visita à Índia foi motivada pela compreensão do diferente. Eu não sofri choque cultural porque sou uma pessoa de hábitos simples. O que eu escrevo não são críticas e nem reclamações, são situações vividas por uma brasileira que olhou a Índia apenas como um ser humano deve o olhar o outro mesmo que certas situações possam ser absurdas e e tentar explicar possa ser mais ilógico ainda. A Índia pode ser o país do contrassenso, mas o meu país chamado Brasil é o país dos excluídos e onde tudo é permitido. Para toda causa também existe efeito e se colocarmos o belo na frente do feio e tivermos de fazer uma escolha, com certeza escolheremos o belo, mas vale ressaltar também que nem tudo que é belo é realmente belo e nem tudo que é feio é realmente feio.
Na Índia o pouco se torna muito para a maioria das pessoas e mesmo que ela viva em processo de evolução social e econômica o povo indiano vive forjando o seu real valor, pois se perde milhões de rúpias por não saber ou não querer fazer com que o tradicional e o moderno andem lado a lado. O tempo não passa na Índia e nos dá tempo para repensar na essência do valor humano e viver um dia de cada vez, lembrando o quanto somos apegados ao mundo material e capitalista. Nós não podemos aceitar o mundo da irracionalidade, dos excluídos e onde tudo pode, mas também não podemos culpar a nós mesmo se um ser humano nasce pobre ou rico e questionar “por quê” tudo que não é aceitável é pior. A vida nunca será justa para ninguém, muitos nascem pobres e morrerão pobres e poucos nascerão ricos e morrerão ricos, ou pode acontecer o inverso de situações, seja ele material ou espiritual. Não podemos escolher onde iremos nascer, mas podemos escolher onde iremos viver se a condição humana permitir, por isso é melhor tentar entender.
Então vamos oferecer o melhor que tivermos, mesmo que seja pouco ou quase nada, sem esperar nada em troca, a satisfação disso tudo está em ver por um momento um sorriso estampado no rosto de uma pessoa que conhece muito pouco o que é felicidade, mesmo que isso dure o tempo do abrir e fechar de um olhar. É preciso compreender nós nunca poderemos resolver os problemas da humanidade, mas se fizermos uma pessoa sorrir o céu se abrirá e Deus ficará satisfeito em ver crescer a pirâmide da esperança no mundo.
A maioria das pessoas que visitam a India reclama da sujeira, do fedor, do machismo, da submissão da mulher, do caos no trânsito, da higiene, da falta de educação, da bagunça e sem falar da falta de infraestrutura que é geral. Sandra Bose tem razão ao usar a sinceridade em suas palavras “quem quer ver tudo limpo, funcionando e organizado, não vá para a Índia, vá para Europa” a Índia não é um lugar ideal para ser visitado “por pessoas limpas” lá se aprende que se sujar faz bem para o corpo e a alma.

A Índia trouxe-me coisas boas e o meu melhor momento foi ver Bombay adormecer e acordar sem fechar os olhos para a vida. Da janela do meu quarto eu pode ver a vida desprendida passar depressa. Eu não sofri nenhum tipo de preconceito, talvez, por parecer com uma mulher indiana, mas quando eu abria a boca para falar meu inglês abrasileirado acabava sempre virando o centro das atenções e quando falava sobre a Amazônia era como falar de Marte. Os indianos têm muitas curiosidades sobre o Brasil e foi na Índia que eu dei-me conta que o Brasil também tem várias Índias, pena que ambos se conhecem tão pouco. O que a Índia sabe sobre nós brasileiros? Resume-se a carnaval, futebol e mulher pelada. E o que nós brasileiros sabemos sobre os indianos? Limita-se apenas ao machismo, as vacas sagradas e na submissão da mulher. NAMASTE
Saturday, September 6, 2008
Um olhar sobre o Jaú
- Entre idas e vindas trilhadas por está amazonense, nascida em Itacoatiara, que inicialmente começou como assistente de arte (A selva), passando depois a assinar trabalho como diretora de arte (Nas asas do condor), agora tem pela frente uma nova jornada profissional. Eliana Andrade irá dirigir seu primeiro documentário intitulado Filhos do Jaú, que mostrará a saga da descoberta do saber popular indo de encontro com o saber científico. São dois conhecimentos e olhares diferentes, o documentário abordará a busca do conhecimento em linguagem poética e ao mesmo tempo informativa, este trabalho vai além dos bichos da floresta, dos rios e dos nativos que vivem na maior reserva natural do mundo. Os moradores do Jaú junto com os cientistas buscam de alguma forma mostrar a natureza em sua própria existência e sobrevivência com passar dos tempos.
Sunday, July 20, 2008
RIO SOZINHO

O mê e o ano recuso-me a lembrar, mas o dia... só sei porque ouvi a minha mãe falar. Quando nasci eu não chorei, eu dei um grito de desespero. Talvez prevendo o que iria me acontecer... O inferno agora é passado, pois enfim cheguei ao paraíso. O rio sozinho segue seu curso. Ele passa, termina e renasce com a vida. Sorte dele! Porque ele não é eu. O encontro do passado e do presente fundem-se com um futuro incerto. Histórias que se repetem. Eu não vivi os meus sonhos, mas realizei o dos outros.
A dor e o prazer de filmar na Amazônia
A dor e o prazer de filmar na Amazônia para quem não conhece ou não está acostumado.
A dor: sol quente, chuva repentina, calor intenso, transporte, as cobras que podem aparecer e as carapanãs.
O prazer: estar num lugar sem frescuras, ter as mais belas imagens do mundo, a hospitalidade do caboclo amazônida, o ar puro que emana das majestosas árvores seculares, o saboroso Jaraqui com farinha de mandioca, a pimenta com tucupi e o banho no rio.
Sunday, April 20, 2008
Olhar do outro "o mundo dos homens"
Minha trajetória pela busca da imagem iniciou na infância. Eu assistia a tudo, de programas infantis até filmes de terror. Foi isso que despertou em mim a curiosidade em saber como era do outro lado da imagem. Como a imagem entrava na TV e chegava até o telespectador. Quando ouvia música imaginava uma imagem que se misturava com as palavras da canção juntando-se á melodia, era uma viagem e tanto, mas naquela época eu não tinha noção de nada, ouvia, gostava e pronto. Então lá pelo final dos anos 70, eu então com 8 de idade, estava aprendendo a ler e escrever. Meu pai cultuava o hábito da leitura e tinha em casa uma grande quantidade de livros. Os que mais me chamavam atenção eram os da Maçonaria, porque são escritos em siglas, o que se torna difícil compreender. Só os maçons sabem o que realmente significa. Até hoje leio livros de variados gêneros. Não tenho uma preferência de tema desde que a leitura seja interessante. Talvez, naquele tempo, quando agreguei a leitura, o meu interesse em saber mais sobre imagem deva ter ficado ainda maior. No entanto me recordo que a cada texto, assunto ou história, era uma viagem a mais na minha vida. Passei muito tempo fazendo isso com o acesso limitado pela TV. Havia noites que eu não conseguia dormir e ligava a TV da sala de casa quando todos dormiam. Um dia eu estava zapeando a procura de algo interessante no meio de uma madrugada silenciosa em casa quando encontrei um programa chamado Sala muito especial. Naquele ano eu não entendia bem, mas o primeiro filme que assisti era do Nelson Rodrigues. Essa foi a primeira noite de muitas outras que vieram a partir daquele momento. Lembro que eu não dormia esperando ficar tarde nas noites de sexta-feira para assistir os filmes desse programa. Esse foi o começo para eu assistir de tudo em pouco, de Bang-bang a clássicos como Condessa descalça e Doutor Givago, esses foram os primeiros filmes que marcaram para sempre em minha memória. Também nesse período lembro de ter ouvido no rádio a música Under pressure da banda Queen. Eu imaginava as imagens, o ritmo da música que tomou conta dos meus sentidos. Isso já nos anos 80. Quando meu pai trocou a TV preto e branco pela colorida foi uma festa para mim. Comecei a assistir a um programa musical chamado Globo de ouro. Lá pude ver pela primeira vez Freddie Mercury. Do sempre serei fã. Aos 10 anos ir ao cinema era impensável então tinha que me conformar com a TV. Já em 1984, finalmente, consegui entrar no cinema com um colega da escola para assistir La Bamba, desde então sempre que podia gazeteava aula só para ir ao cinema. Quando terminei o colegial tive que mudar de escola. Essa foi a minha perdição. Comecei a assistir a filmes mais pesados. São incontáveis as vezes que subornei o bilheteiro para entrar no cinema só para ver filmes para maiores de 18 anos, cheguei a ser reprovada na escola por causa das minhas escapadas ao cinema. De lá pra cá, até hoje não parei. A diferença é que agora sou livre para ver o que quiser e quando quiser. Mas eu tinha um sonho que era muito distante ou quase impossível de acontecer naquelas décadas. Hoje eu acho que isso já veio determinado na minha vida, pois desvendar o segredo da imagem naqueles dias era minha paixão, meu opio proibido, em que hipótese alguma poderia ser alimentada por mim. O jeito era me contentar em vê-las, sem nunca imaginar concebê-las. Mesmo assim, no decorrer do tempo, comecei a estudar sobre técnica e estética nos livros que eu adquiri sobre cinema. Nos anos 90, conformada que isso não era para mim decidi escrever um livro chamado Rio sozinho, ao qual nunca foi concluído. O problema é que eu não conseguia escrever literatura. A estória só vinha na minha mente em imagem com ordem cronológica e tudo. Talvez meu cérebro estivesse costumado a ler só desse jeito. Porém em 1997, ao passar por uma livraria no centro de Manaus vi numa estante um único exemplar do livro do Milton Hatoum Relatos de um certo oriente esquecido em uma prateleira empoeirada. Mal sabia eu que anos depois eu iria sentar no bar Laranjinha na praia da Ponta Negra em companhia do próprio Milton para falar da adaptação do conto Nas asas do condor e nem que levaria o diretor francês Pitof de Mulher gato e Vidock para tomar cerveja na praça do D. Pedro. E mais tarde poder escrever junto com meu amigo Carlos Garcia nosso primeiro longa-metragem e ter a trilha sonora assinada por Rosemberg Cariri de Corisco e Dadá entre outras obras de relevância desse grande cineasta ao qual tive a honra de conhecer na minha cidade e nos tornamos grandes amigos. Tenho também outra paixão: filmes estrangeiros fora da grande industria Hollywoodiana. Dou preferência aos asiáticos, em especial, os japoneses. Minha mãe era budista e por isso durante minha adolescência tive oportunidade de conhecer essa cultura bem de perto. A mitologia deles é fascinante. Mas foi só aos 30 anos que decidi ser católica depois de ter conhecido quase todas as religiões possíveis. Também dou preferência a filmes chineses, russos, vietnamitas e alemães. Tive oportunidade de assistir um filme iraniano Filhos do paraíso. Mas voltando ao livro Relatos de um certo oriente. Eu digo que não li, mas sim “devorei” inteiro. A forma que Milton escreve é perfeita. É um filme. Só falta mesmo é organizá-lo na cronologia da imagem correta. Em 1999, quando eu adquiri o livro Quatro Roteiros de Sid Fild é que eu, finalmente, compreendi que sempre escrevi em forma de roteiro, contudo, faltava saber organizá-los de forma correta. Desde então comecei estudar formas, estruturas, linguagens, escaletas, entre outros itens importantes utilizado no mercado audiovisual nacional e internacional e pensar em qual seria o meu estilo de obra fílmica. Em 2001, com a retomada do cinema local no Amazonas foi que eu vim me aprofundar mais no assunto para tentar seguir uma carreira profissional. Naquela época ouvi um colega dizer a seguinte frase: quem tem um olho em terra de cego é rei. Outro replicava em dizer: quem tem um olho em terra de cego é caolho. Então minha paixão pela imagem de novo renasceu em um tempo em que eu já estava quase desistindo para virar uma escritora literária. De qualquer forma ainda não desisti de ser escritora já que de alguma maneira me tornei escritora da imagem.
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